INROTULÁVEL
Primeiro vieram com o papo de que eu deveria ser prosa. Todo no formato exato, linhas contadas e os parágrafos feito blocos de construção.
Até ouvi calado.
Depois começaram a impor que eu deveria me desfazer dos pontos em seguida e das exclamações.
Estranhei.
Então não quis mais prosa e me vesti de verso,
leve,
porém denso.
Vieram dar piteco novamente sobre, agora, as rimas em sextilha em desacordo sonoro.
Franzi bastante o cenho.
Joguei todas as regras fora, sem paciência para os conselhos: “essa vírgula aqui daria o sentido ideal”, “vais terminar assim a história?”, “em que gênero se encaixa esse texto?”.
“NÃO ME VENHAM COM RÓTULOS!!!”, vociferei, disposto a parir o que quisesse nascer.
se quiser nascer transformação e nem que seja não binário ou dentro de gênero algum que nasça pois também não preciso de frases iniciadas por letras em caixa alta muito menos de fonte padrão do início ao fim ao passo que quero na verdade a metamorfose ao final que é sim pra sair das caixas nem de vírgulas e nem dos pontos dado que o pensamento está a fluir como uma cascata de ininterrupta luz
D.M
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